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domingo, 30 de agosto de 2009

Meu amigo: Amit (mera dosti: Amit)



Esse é meu amigo indiano: Amit Verma. Nos conhecemos pela internet a uns 2 anos atrás e ficamos amigos. Já conversamos muito e sobre todos os assuntos. Posso dizer que é um bom filho e irmão. Ele se casou dia 2 de Maio deste ano e, como prometi a ele publicar algumas fotos do seu casamento, aqui está!

Queria estar lá para ver esse casamento hindu de perto. Quando estive na India, tive a oportunidade de ver um, e posso dizer que foi um dos momentos mais impressionantes que pude vivenciar na vida. Por ironia do destino, nenhuma de nós estava com máquina fotográfica para registrar, mas as imagens estão no meu coração.

Vi duas noivas cobertas com roupas bortadas em OUROOO. Gente, é muito Ouro!!! Impressionante!! E uma cerimônia linda que durou muitas horas. Vi suas mãos e pés todos pintados de mehendi, a mãe da noiva chorando, as mulheres rindo e cochichando umas com as outras sentadas no canto num lugar reservado para só para elas (mulheres de um lado, homens do outro), quando os noivos colocaram pó vermelho nas cabeças de suas noivas, quando amarraram as roupas deles e eles deram voltas numa fogueira no meio da cerimônia e quando trocaram as guirlandas. Cá entre nós, tinha um noivo mega-ultra-super-lindoooooo que uma das minhas amigas estava quase voando no cara e sequestrando ele (rs!).

GENTE, EU VÍ ISSO PESSOALMENTE!!!

Tenho muito orgulho do Amit. Ele é um menino muito bom e honesto, trabalha muito e procurou uma noiva que ele estivesse realmente apaixonado. Acompanhei a busca da família dele por uma noiva, não foi fácil! Eles reservavam os domingos para visitar as famílias que tinham alguma proposta, ou seja, alguma noiva na família. Teve uma vez que marcaram, mas a noiva desistiu logo em seguida, e lá foi o Amit e cia procurar mais uma noiva... É isso mesmo! Casamento arranjado. O que para nós parece surreal, é uma realidade muito forte na India. Não caiam nas histórias que nos dias de hoje isso não acontece. Acontece sim! Quase TODOS os casamentos são arranjados, a diferença é que nos dias de hoje, os próprios noivos tem voz ativa na escolha dos parceiros, o que já ajuda muito.

Um dia ele me disse que estava resolvido e que a data já estava marcada. Antes, eu sempre perguntava se ele havia se apaixonado pelas meninas e se elas eram inteligentes. Ele sempre me dizia que não sabia se eram inteligentes, pois não tinham conversado muito (surreal isso, não?!). Bem.. Dessa vez, antes de eu perguntar ele já me disse: "She's very beautifull, inteligent and and I fell in love with her. I am very happy, Elaine!" Uau!!!! Fiquei muito feliz por ele.

Amit me disse que a sua família não era a favor de dotes e que ele se sentia muito bem por isso. Nossa! Que orgulho desse menino pois, se vcs não sabem, o dote na India não diminuiu nadica de nada como dizem por ai para as pessoas ficarem menos indignadas.. Pelo contrário! Com os indianos ficando mais ricos por causa da Economia indiana crescendo, os dotes ficam sim.. muito mais caros e sacrificantes para as famílias.

Amit, mesmo sendo hindu, pratica a mesma filosofia religiosa que eu: Budismo de Nitiren Daishonin, a SGI - Soka Gakkai International, que lá na India se chama: BSG - Bharat Soka Gakkai (Bharat é o antigo nome da India). Estranho que na India, o budismo não é uma religião, mas uma filosofia de vida apenas, e eles continuam suas religiões tradicionais agregando a filosofia budista. Estranho... Mas o que importa é que eles fazem DAIMOKU!! Isso é que importa. Ele está numa família com muita boa sorte e isso fez toda a diferença na hora de negociar o casamento.

Bem, pelas fotos, o casamento foi lindo! Lamento mais uma vez o fato de eu não estar lá para ver de pertinho, mas ele já me prometeu que irei tomar um "Chae" quando aparecer em New Delhi! Oba!

Ai, ai... Não vejo a hora de fazer daimoku no horatório de meu amigo indiano com sua família nova. Vou ver realmente se essa menina é inteligente como ele disse. rs

Amit, congratulations my friend!!! I'm verry happy for you!!!!

"E sempre eu me pergunto se esse comportamento está certo ou errado. É claro que no Brasil esse tipo de "casamento-acordo" parece um absurdo, mas se analizarmos o pensamento que vem por trás, se entendermos os motivos que os "ditos tradicionais" usam para justificar esse ato, pensaríamos um pouco diferente. Aqui no Brasil nós ficamos em função de encontrar uma pessoa legal e fazer essa pessoa legal se apaixonadar por nós, depois passamos uma vida inteira tentando manter essa pessoa legal do nosso lado sempre tentando tirar "os (as) intrusos (as)" do nosso caminho, ou seja, nosso posto de marido ou esposa pode estar sempre sendo comprometido por alguém que não entende o que significa essa união (seja essa pessoa os nossos ou os outros). Na India é diferente, eles acreditam que sempre existe alguém "escolhido por Deus" (altamente discutível isso!), e que essa pessoa será a que irá conseguir se casar com vc. Ok?! Essa parte eu concordo que é "forçar a barra", temos que nos apaixonar pelas pessoas profundamente para assumir um compromisso (e lógico que não estou falando aqui das famílias que obrigam seus filhos a se casarem com quem não querem, claro que não!). Mas o que me impressionou é o comportamento que eles adquirem depois que se casam. Eles abrem o coração para amar as pessoas que estão do seu lado, tem como princípios que essa pessoa vai acompanhá-los para o resto da vida e a família é o que há de mais precioso para eles. Se num relacionamento existe amor e respeito, esse amor só se multiplica, só aumenta. Tudo bem, eu quero escolher a pessoa que vai estar do meu lado, claro!, mas quero aprender a amá-la a ponto de fazer o meu melhor para que dure para sempre. É lindo na teoria, eu sei, mas acredito que pode dar certo. Na India conheci esse tipo de relacionamento e posso dizer que, pelo que ví, pode dar certo sim. Os relacionamentos podem sim durar para sempre. Hoje em dia tudo está muito fácil, as pessoas estão fáceis, os relacionamentos estão muito superficiais, as pessoas estão superficiais, fica difícil chegar bem no fundo do nosso coração, agente não está se permitindo... Difícil remar contra essa maré... Estou tentando. Tomara que muita gente esteja tentando também, o que não garante que iremos conseguir. Mas o que importa não é chegar, é nossa trajetória. A vida é causa e efeito mesmo... Vamos fazer o melhor e abrir nosso coração!"

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E vamo que vamo!
Namaste
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(dia do noivado dele)
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(sua noiva com o vestido todo bordado em ouro)
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(casal apaixonado)

---(família da noiva)

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(os homens desfilam quase o dia inteiro com uma procissão pela cidade - uma verdadeira festa!)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Carta de Ano-Novo


Vou colocar aqui um texto muito importante para nós Budistas. Ele fala sobre o início do Ano, o início de novos desafios, o momento de parar e refletir sobre o que vamos fazer daqui para frente, de como vamos direcionar nossa luta, qual das nossas atitudes serão revistas para não cometermos os mesmos erros do passado.

É lógico que o início é sempre continuidade, mas vale muito a pena aproveitar esse sentimento de renovação e começar novos desafios...


"Recebi cem bolinhos de arroz cozidos a vapor e um cesto de doces. O dia de ano-novo marca o primeiro dia, o primeiro mês, o início do ano e o início da primavera(*). Quem celebra esse dia tornar-se-á mais virtuoso e será amado por todos. Será como a lua que gradualmente se torna cheia à medida que se move do oeste para o leste ou como o sol que se torna cada vez mais brilhante em sua trajetória do leste para o oeste. Considerando a questão de onde estão o inferno e o Buda, um sutra diz que o inferno está debaixo da terra enquanto um outro diz que o Buda está no oeste. Entretanto, uma análise mais cuidadosa revela que ambos existem em nosso próprio corpo. De fato, o inferno está no coração da pessoa que insulta seu pai ou desrespeita sua mãe. É como a semente de lótus que contém tanto a flor como o fruto. Da mesma forma, o Buda habita nosso coração. Por exemplo, a pederneira contém o potencial para produzir fogo e as jóias possuem um valor intrínseco. Nós, seres humanos, não enxergamos nem nossos próprios cílios, que estão tão próximos, nem o céu distante. Da mesma maneira, não conseguimos compreender que o Buda existe em nosso coração."


(*) O primeiro dia, o primeiro mês, o início do ano e o início da primavera: de acordo com o calendário lunar utilizado na época de Daishonin, o início da primavera começa em janeiro.


Resumo e Cenário Histórico
Nitiren Daishonin escreveu esta carta para a esposa de Omossu, irmã mais velha de Nanjo Tokimitsu, em agradecimento pelos sinceros oferecimentos enviados por ela no início do ano. A carta é datada de 5 de janeiro, porém sem a indicação do ano. Assim, embora se saiba que Nitiren Daishonin tenha escrito esta carta no Monte Minobu, nos últimos anos de sua vida, o ano exato não é conhecido (Nitiren faleceu em 13 de Outubro de 1282).
O ano-novo sempre foi considerado uma época de deixar o passado para trás e começar de novo. De acordo com o calendário lunar japonês utilizado na época de Daishonin, o ano-novo coincidia também com o início da primavera.
Quando uma pessoa se dedica seriamente à prática budista, é a sua fé no presente, e não o seu carma do passado, que exerce a influência determinante em sua vida. Assim, por meio desse grande poder da fé, nós podemos “começar a partir de agora”, em qualquer momento que nós determinarmos. Contudo, o dia de ano-novo é uma ocasião especificamente destacada para esse propósito, quando toda atmosfera que nos cerca apóia o espírito de começar renovadamente. Nitiren Daishonin nos ensina que celebrar esse dia fazendo oferecimentos ao Gohonzon (pergaminho localizado dentro do oratório que significa não mais que o nosso próprio coração) é uma fonte de imensa boa sorte. Fazer oferecimentos no ano-novo serve para expressar tanto a nossa gratidão quanto a nossa decisão de continuar a nossa luta, aprofundando ainda mais nossa fé no ano que se inicia.
O budismo ensina que o presente momento abrange o futuro, e que cada causa contém o seu efeito. Nesta perspectiva, a maneira como saudamos o ano-novo é bastante importante. Uma grande diferença pode resultar entre o ato de considerá-lo um dia a mais entre muitos outros, ou como um novo início que abriga em si as sementes do desenvolvimento do ano inteiro.